quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Lee Norat em entrevista com Rodrigo Santos: PAPO DESCONTRAÍDO COM RODRIGO SANTOS



FONTE: http://colunistadeventos.multiply.com/reviews/item/5


Category: Music
Genre: Rock
Artist: Rodrigo Santos

Lee Norat em entrevista com Rodrigo Santos
para Revista Absolute Rio 3/11/2007



Rodrigo Santos tem 26 anos de carreira musical, milhares de shows, vários festivais, três prêmios Sharp, 1 milhão de discos vendidos ao lado de vários artistas e abertura de cinco shows dos Rolling Stones. Já tocou com diversas bandas, ficou conhecido pelo público quando entrou para o Barão Vermelho e hoje (de férias do Barão) segue com Os Britos e sua carreira solo lançando seu primeiro CD Um Pouco Mais de Calma.




LN: Rodrigo, em que momento decidiu pela carreira solo?


RS: Foi na verdade uma decisão tomada desde que resolvemos que o Barão ia parar de novo agora em 2007. Quando voltamos em 2004, isso foi conversado e ali eu decidi que não ia mais ficar esperando as coisas acontecerem ou tocar com alguém, como fiz na primeira parada do Barão em 2001, quando fui tocar como Kid Abelha. O fato de eu cantar, compor e tocar violão desde que comecei a carreira de músico, me deixava sempre uma certa incompletude de satisfação na minha trajetória, de uma maneira mais pessoal mesmo. Sabia que faltava eu lançar o meu CD... mas as circunstâncias de sempre ser convidado a tocar com alguém do primeiro escalão do rock ( Miquinhos, Leo Jaime, Lobão,Kid, Blitz e como artista Barão e Britos) me deixou um pouco acomodado. O outro fator fundamental foi ter largado as drogas e o álcool em agosto de 2005... aí sobrou espaço pra criatividade construtiva novamente e comecei a preparar meu disco assim que entrei no Centro Vida, clínica para tratamento de dependência química e alcoolismo, da qual hoje em dia sou coordenador também. Esse meu lado de trovador e violeiro estava colocado de lado. Pus em prática tudo que aprendi e criei nesses 25 anos de estrada, dessa vez a meu serviço.


LN: Por que "Um Pouco mais de calma”, esse título, tem algo a ver com sua biografia?


RS: Serve de uma maneira geral pra resumir esse meu momento de vida e também como um alerta geral as pessoas. Todos precisam de um pouco mais de calma... e também é o titulo de uma das músicas do disco, letra minha e música que fiz com Frejat. É a letra que separa a linha tênue da última noitada da decisão pelo tratamento contra dependência química, que havia desenvolvido em anos de estrada e rock'n'roll. É um chute na pasmaceira e uma entrega à força que temos pra mudar as coisas na vida. A música tem os elementos principais que permearam esse disco de folk-rock: o violino, o violão e a levada de folk rápida a la Bob Dylan e Tom Petty.


LN: Você pretende sair do Barão Vermelho e se dedicar somente a esse novo projeto?


RS: Não... ninguém saiu do Barão. Estamos apenas de férias... por 4 anos.
Como tenho tempo de férias longo vou me dedicar exclusivamente a minha carreira solo nesses 4 anos e lançar pelo menos mais 1 CD. Sou artista da Som Livre e pretendo continuar por lá! Os Britos também fazem parte da minha rotina musical, coisa que antes não tínhamos tempo.


LN: Conta pra nós da emoção de seu primeiro show na Letras e Expressões, como o público te recebeu?


RS: Muito bem... Muito simpáticos e antes mesmo do primeiro show, os ingressos para os dois shows que faria já tinham sido vendidos. Tive que fazer mais 5 shows...todos esgotados com 40 pessoas não conseguindo entrar em cada show. Foi uma resposta muito positiva e desde então tem sido assim na maioria dos shows que faço. A Internet, o Orkut e as minhas comunidades Rodrigo Santos e Barão Vermelho, ajudaram muito a minha relação com o público... ficamos bem próximos mesmo.E eu respondo scrap por scrap. Os shows aconteceram antes de eu lançar o disco, então gravei ainda 4 músicas que compus depois da temporada: Cidade Partida, Pão-Duro, Vai Ser melhor assim e Cigarro Aceso no braço..essa por pedidos do fã-clube pela internet. Como havia colocado muitas músicas de voz e violão no meu site antes do primeiro show, todos já conheciam muitas músicas... bem legal!


LN: Qual é o estilo de seu primeiro CD solo?


RS: Folk-baladas-rock, influenciado por John Lennon, Bob Dylan, Beatles, Neil Young, Caetano, Stevie Miller Band, Secos e Molhados, Cat Stevens, John Cougar Mellencamp, Zeppellin, Pink Floyd e por todas influências que tive como músico nesses 25 anos.


LN: Quais dificuldades tem encontrado no mercado, ou ser baixista do Barão Vermelho te facilita as portas abrirem?


RS: Por um lado abre portas, por outro não... ao chegar numa gravadora já conheço todos e todos me conhecem..fica mais fácil mostrar o trabalho inicialmente, mas como o mercado só aceita um Barão , no caso o Frejat, tenho que me desdobrar pra fazer um trabalho que tenha a minha cara e siga um caminho bacana . Passo por todas as dificuldades da crise mercadológica, mas tenho um público fiel que me acompanha e meu CD falou por si só... entrou uma música na novela e mais duas nas rádios, os shows estão cheios e a tendência é ir chegando em mais lugares como Rodrigo Santos e não como Rodrigo do Barão, entende? Tive que criar a minha marca... tive não...tenho !!! Todos os dias trabalho duro pra isso... mesmo!! Nesse ponto tenho que cortar o cordão umbilical do Barão, mas acontece naturalmente... ao mesmo tempo toco músicas do Barão nos shows..umas 5 ou 6, como toco do Lobão, Britos,etc...conto a minha história no show. É um livro aberto mesmo.


LN: Como tem conseguido conciliar tanto trabalho e ao mesmo tempo estar tão presente em família? É a vida repensada?


RS: Ahhh... me desdobro em oito !!! risos
Às vezes um lado fica mais presente do que outro, mas tento sempre conciliar o máximo trabalho, diversão, família, internet, esporte, etc... procuro estar sempre junto com minha mulher e meus filhos.


LN: Quais seus projetos para um futuro próximo, Barão, Britos ou carreira solo?


RS: Mais um CD solo e talvez um DVD dos Britos ou um DVD com o show que estou fazendo com George Israel, onde tocamos violão, bambolim, baixo, sax e somos acompanhados por uma percussão e às vezes por um violino. É um projeto diferente, acústico e onde mostramos os nossos dois CDS solos lançados pela Som Livre e ainda cantamos Barão, Kid e músicas que fizeram a nossa cabeça musical . Estamos todas as quintas na Letras e Expressões de Ipanema... quem quiser conferir..


LN: O Barão esta chegando ao fim ou é só mera especulação da mídia?


RS: Mera especulação da mídia... como sempre! Foi assim em 2001 também.


LN: Sei que você não tem nenhum preconceito em falar sobre dependência química, o que diria as pessoas envolvidas com drogas? Você está curado?


RS: Diria que não tem cura e que é uma doença que tem tratamento. Se for bem tratado terapeuticamente e se conhecer bem ou pelo menos entender como desenvolveu esse processo e o que tem que fazer pra não repetí-lo , a pessoa tem muitas chances...mas tem que querer...e muito!! Só quem tem muita garra consegue depois, MANTER a abstinência. Só que quando se vê cada vez mais fora disso, não há nenhum motivo pra querer voltar... mas como se trata de uma doença da cabeça também, tem gente que escolhe voltar..é muito sério mesmo. Tem que ter muita hora de vôo com tratamento e mesmo assim depende no final da própria pessoa... se quiser beber de novo, vai beber! Se quiser cheirar de novo... vai cheirar! Ou fumar! Aí destrói todo um processo de auto conhecimento e de força interna que vem construindo tijolo a tijolo...em 1 segundo, o que é mais impressionante. Com um bom tratamento especializado o paciente tem tudo pra colocar a vida em frente e aí só posso dizer uma coisa: só melhora. Não conheço um só que tenha piorado de vida. Nada é pior do que a falta de perspectiva e a entrega total a droga e ao álcool... é muito triste mesmo. Quando a pessoa se dá conta e consegue parar, trata das coisas que podem levá-la de volta a droga. Quem não se dá conta ou acha que não tem problema nenhum, ou morre ou fica vivendo numa falta de respeito consigo própria que chega a ser doentemente humilhante. E a pessoa sempre se compara com quem tá pior...nunca com quem está melhor..é doentemente impressionante. Não há cura, mas depois que se sai dessa é um alívio tão grande que as pequenas coisas da vida começam a ser valorizadas de novo. Tem gente que escolhe voltar, tem gente que segue em frente, tem gente que recai e consegue retomar e tem gente que não... não dá tempo..


LN: Seus fãns querem saber, quando e aonde será o próximo mega evento? Quero estar antenada com as novidades ,aonde te acho?


RS: Mega evento? No Maracanã em 2014!!! Com a seleção!!!
Até lá tenho tempo pra crescer o trabalho... rssssss
Todas as quintas de novembro na Letras e Expressões (RJ) e os sábados 03/11 e 10/11 no Sacadura (RJ).


LN: Minhas considerações finais são de agradecimento pelo papo absolute, minha coluna estará sempre a tua disposição.


RS: Eu também me coloco a disposição sempre que precisarem e foi um prazer participar!




Faixas do mais recente CD

Um pouco mais de calma ( Rodrigo Santos/ Frejat )
Que língua falo eu? (Rodrigo Santos / Lobão/ T. Paes )
Nunca desista do seu amor (Rodrigo Santos )
Quem não viu ? (Rodrigo Santos / C. Rabbah )
O sono vem (Rodrigo Santos)
Cigarro Aceso no braço ( Fernando Magalhães/Frejat/Mauro Sta Cecilia)
Cidade partida (Rodrigo Santos /George Israel) part esp George
Tempos difíceis (Rodrigo Santos)
Estrangeiro (Rodrigo Santos / M. Barros/ Mauro Sta Cecilia)
Vai ser melhor pra você (Rodrigo Santos / leoni) part esp: Leoni
A vida não dói (Rodrigo Santos)
O peso do passado (Rodrigo Santos / Zelia Duncan) part.esp.: Zelia Duncan - voz
Carta pra nós (Rodrigo Santos / Mauro Sta Cecilia/ Herbert de Souza) adaptação de "Carta para Maria"
Pão-duro (Rodrigo Santos /Fernando Magalhães/Kadu Menezes/Mauro Santa Cecília)


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